Senhor Zé Cantador

-Senhor Zé Cantador, escreve poemas todos os dias? Digo eu cheia de curiosidade.

-Não, escrevo só quando tiver inspiração! Disse.

Poeta, com um livro de poemas concluído (espero ser publicado) e um grande viajante em África. Escreve poemas sobre tudo, o que lhe aparece à frente, as suas memórias, sobre alguém importante, ou até mesmo sobre nada, mas tem sempre sentido.

A sua cara demonstra já algum respeito, um homem culto. O seu bigode tem muito que contar. Percorri nos corredores na casa dele, cheias de fotografias com militares (pareciam filmes a preto e branco) e senhoras com grandes óculos, que até por acaso agora está muito na moda. Caixas cheias de relógios, relógios de bolso, de prata, de pele... de vários feitios. Mais uns cachimbos em cima da prateleira vindos de África e dos outros países. Recordo ver cada objecto de Recordação do Senhor Cantador, o Sr. Abanico (é parecido com um leque), a ferradura que está sempre pendurada no seu cinto, e os cadernos/diários dos poemas que trouxera quando esteve em África, aventuras, digo eu para mim. Orgulhoso por ter um dom de ser poeta (inventa poemas na hora) sentado na sua cadeira com o candeeiro apontar para o seu caderno dos poemas, lê cuidadosamente os seus poemas às pessoas que estão à sua volta, às refeições, na sala, na rua, em qualquer altura que seja. Fala devagar (como um verdadeiro poeta)...

 

Minhas Mãos nas tuas enleias

Estão apertadas as duas

Que eu sinto nas minhas veias

Correr o sangue nas tuas

 

Meu coração está fechado,

Vem ser mala nem baú

Está fechado para todos

Está aberto para "tu"

 

Meus beijos sabem a mel

Eu sou melhor que tu

O Laím matou Abel

E o Animafografo.

 

Senhor Zé Cantador.

publicado por Ynnêz às 09:15 | comentar